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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Texto, contexto e intertextualidade


1. Texto
Segundo o dicionário Larousse (2007), texto é o conjunto coerente e coeso de ideias, é a palavra ou conjunto de palavras que transmite uma mensagem, que tem a intenção de comunicar algo.
Texto é, também, uma manifestação linguística produzida por alguém, em alguma situação concreta (contexto), com determinada intenção.
Ex: Fogo!
       É um exemplo de texto porque:
- Manifestação linguística: a pessoa gritando;
-Situação concreta: o edifício pegando fogo;
-Intenção: avisar outras pessoas do perigo e conseguir socorro.
            Outro aspecto importante é que a situação de produção de um texto sempre supõe a existência de um interlocutor a quem ele se dirige.
      Interlocutor de um texto é o leitor a quem ele se dirige preferencialmente.

2. Contexto    
Outro aspecto necessário para compreender e interpretar bem um texto é o contexto no qual ele está inserido.
Contexto é a situação concreta a que o texto se refere, logo todo texto tem um contexto.  Há diferentes tipos de contextos (social, político, cultural, estético, esportivo, educacional, histórico ...) e sua identificação é fundamental para que se possa compreender bem o texto, mas essa identificação vai depender do conhecimento sobre o que está sendo abordado e as conclusões referentes ao texto. 
Em determinados textos a informação sobre acontecimentos passados contribui para sua compreensão. Por isso, quanto mais variado o campo de conhecimento, mais facilidade encontrará o leitor para ler e interpretar, pois muitas vezes é a falta de informação que impede a compreensão de determinados textos.Observe:



a) A que contexto se refere a imagem e a que situação específica refere-se? Explique.
b) Qual a intenção comunicativa do autor deste texto?

Outro exemplo: “Eles vão te pegar na esquina”
Dependendo do contexto, essa frase pode adquirir várias interpretações: de ameaça (possíveis assaltantes que esperam por vítimas na esquina); de cuidado (buscar/apanhar alguém na esquina) ou em uma outra situação pode ser um jornal que chama atenção do leitor  para as pessoas que escrevem no jornal ou até mesmo para os jornaleiros vendem os jornais nas esquinas, nesse contexto “pegar”, não significa atacar ou buscar alguém, mas sim capturar a atenção do leitor, que, interessado pelos textos escritos decide comprar esse jornal.

3. Intertexto: é a relação que se estabelece entre dois textos, quando um faz referência a elementos existentes no outro. Esses elementos podem dizer respeito ao conteúdo e à forma.. A intertextualidade pode ocorrer em textos escritos, músicas, pinturas, filmes, novelas, etc. Veja nos exemplos abaixo como Murilo Mendes (sec. XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (sec. XIX): 

Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Gonçalves Dias

Canção do Exílio
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. 
Os poetas da minha terra 
são pretos que vivem em torres de ametista, 
os sargentos do exército são monistas, cubistas, 
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
gente não pode dormir 
com os oradores e os pernilongos. 
Os sururus em família têm por testemunha a 
                                                      [ Gioconda 
Eu morro sufocado 
em terra estrangeira. 
Nossas flores são mais bonitas 
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia. 

Ai quem me dera chupar uma carambola de 
                                        [ verdade 
e ouvir um sabiá com certidão de idade! 
Murilo Mendes

Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um exemplo de intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias.
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos são exemplos de intertextualização. A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:


E para finalizar a aula, assista a esse vídeo sobre intertextualidade:

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei da explicação clara e objetiva, me ajudou muuuuuito.

Obrigada.

Antonio Victor disse...

Nossa, Parabéns! Me ajudou muito!

"Educar é tornar o homem consciente de si mesmo, de seus deveres e direitos, de sua responsabilidade para com sua espécie. Educar é tornar o homem capaz de pensar em si e nos seus relacionamentos com os outros de modo a perceber que é impossível que ele se nutra autonomamente." (EMERENCIANO, 1996:140)