sábado, 29 de maio de 2010

Diálogo teórico com Paulo Freire

Compartilho muito com as idéias de Paulo Freire, pois, como ele, acredito que o aluno deve aprender a “ler o mundo” para assim, poder transformá-lo. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno, para que ele possa agir de forma consciente sobre sua realidade.
Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Para ele, esse tipo de educação serve apenas para matar a curiosidade, o espírito investigador e a criatividade dos alunos.
Para Freire, a missão da escola e do professor é possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos e não de transmitir um saber.
Acredito que as idéias de Paulo Freire vêm ao encontro das características e objetivos do trabalho com projetos na sala de aula, visto que este tipo de trabalho permite ao aluno que ele aprenda fazendo, ou seja, o educando passa a ser o autor de seu conhecimento.
No trabalho com projeto, aluno e professor precisam primeiramente conhecer (ler) a realidade (problema), a partir daí, o aluno, mediado pelo professor, procurará responder, através de pesquisas, os porquês, os modos e as possíveis soluções do problema identificado. Mas, para que esse tipo de trabalho motive o aluno, é preciso que ele esteja inquieto com o tema do projeto, que essa inquietação cresça a ponto de fazer com ele comece a agir e o motive a transformar aquela realidade.
No projeto, o aluno explora, aplica, busca, interpreta informações e tem a oportunidade de recontextualizar aquilo que aprendeu, estabelecer relações significativas entre os conhecimentos, ampliando o seu universo de aprendizagem. O aluno desenvolve competências para buscar e selecionar informações, tomar decisões, trabalhar em grupo, gerenciar confrontos de ideias, solucionar problemas, desenvolver competências interpessoais para aprender de forma colaborativa com seus pares.
Enfim, vejo muito de Paulo Freire no trabalho com projeto, pois é como ele mesmo dizia ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinho, “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, o que me lembra muito Piaget, quando dizia que a aprendizagem acontece quando o sujeito age sobre o objeto e, Vygotsky, quando dizia que o aluno aprende a partir da interação com o meio.

Imagem: Google

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