segunda-feira, 14 de abril de 2014

Texto, contexto e intertexto III

1. Texto
Segundo o dicionário Larousse (2007), texto é o conjunto coerente e coeso de ideias, é a palavra ou conjunto de palavras que transmite uma mensagem, que tem a intenção de comunicar algo.
Para Koch & Travaglia, o texto deve ser entendido como “uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa (contexto), como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão.”
Outro aspecto importante é que a situação de produção de um texto sempre supõe a existência de um interlocutor a quem ele se dirige. Interlocutor de um texto é o leitor a quem ele se dirige preferencialmente.
Os interlocutores sempre têm intenções muito específicas em relação ao discurso que produzem para o outro. A essas intenções chamamos de intencionalidade discursiva. Observe os quadrinhos e responda: Qual a intenção comunicativa do autor do texto?
2. Contexto    Outro fator importante para compreender e interpretar bem um texto é o contexto no qual ele está inserido. Contexto é a situação concreta a que um texto faz referência, logo todo texto tem um contexto.  Ele é formado pelas relações estabelecidas entre o conjunto de circunstâncias associadas à ocorrência de determinado fato ou situação de que trata o texto.
Há diferentes tipos de contextos: social, político, cultural, estético, esportivo, educacional, histórico, religioso, ideológico, ... e sua identificação é fundamental para que se possa compreender bem o texto, mas essa identificação vai depender do conhecimento sobre o que está sendo abordado e as conclusões referentes ao texto. 
Em determinados textos,  a informação sobre acontecimentos passados contribui para sua compreensão. Por isso, quanto mais variado o campo de conhecimento, mais facilidade encontrará o leitor para ler e interpretar, pois muitas vezes é a falta de informação que impede a compreensão de determinados textos. Observe as  imagens abaixo:
a) A que contexto se referem as imagens  e a que situação específica referem-se? Explique.

b) Qual a intenção comunicativa do autor destes textos?

3. Intertexto (intertextualidade)
É a relação que se estabelece entre dois textos, quando um faz referência a elementos existentes no outro. Esses elementos podem dizer respeito ao conteúdo ou  à forma. A intertextualidade pode ocorrer em textos escritos, músicas, pinturas, filmes, novelas, como por exemplo, em textos de paródia (por excelência, intertextuais), em releituras e em cada citação dum texto alheio e diz-se sempre que o texto mais recente utiliza uma intertextualidade com um texto mais antigo (não ao contrário: a intertextualidade não é recíproca). Naturalmente, detectar uma intertextualidade depende do conhecimento do texto, portanto, também, do conhecimento de mundo do leitor. Observe como os textos II e III fazem referência direta ao texto I:

Texto I: I Coríntios 13
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.   
(Bíblia, I Coríntios 13)
Texto II: Amor é fogo
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
                                               Luiz Vaz de Camões 
Texto III: Monte Castelo
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja Ou se envaidece...
O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...
É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
(Renato Russo – Legião Urbana,  1989)

Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos são exemplos de intertextualização. A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, também se aplica o conceito de releitura (adaptação a uma nova cultura) e o de paródia (adaptação humorística). Observe a imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci e sua adaptação publicitária: 
Na imagem, observamos uma intertextualidade do tipo paródia, que visa tornar a imagem mais atrativa e associa ao produto as propriedades de qualidade e perfeição que inspira o quadro da Mona Lisa:
A intertextualidade pode ocorrer sob as formas abaixo de:   
·    Paráfrase - A paráfrase consiste em refazer um texto fonte em função de seu conteúdo. É uma categoria que abrange resumos, condensações, atas, adaptações relatórios.
·    Paródia - A paródia é a recriação de viés crítico, com intenção cômica ou satírica. Na paródia, o texto fonte não é apenas o ponto de partida. Ele permanece entrevisto no espaço do texto recriado, sem o que se perde o efeito de sentido da paródia.
·    Plágio - O plágio consiste na apropriação ou imitação, essencialmente ilícita, de texto alheio. Pode ser parcial ou total, distinguindo-se da paráfrase e da paródia por ocultar seu processo de criação. A facilidade, criada pela internet, do acesso a textos alheios aumentou consideravelmente a prática do plágio nos meios acadêmicos.

E para finalizar este vídeo:

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