terça-feira, 23 de maio de 2017

Figuras de Linguagem III

Figuras de pensamento: As figuras de pensamento são resultados de uma divergência entre o sentido literal de uma palavra e os intentos que levam alguém a utilizá-las em determinado contexto, além de exaltar uma ideia que se quer evidenciar ou diminuir.

1Antítese: Aproximação de palavras de SENTIDOS OPOSTOS.
Ex:  “Eu que sou cego – mas peço luzes...
       Que sou pequeno, - ma só fito os Andes...”
 (Castro Alves)

      “Quando um muro se separa, uma ponte se une.”

       Nada com Deus é tudo,/ Tudo sem Deus é nada.


2. Paradoxo: Consiste numa proposição aparentemente absurda, resultante da união de IDEIAS CONTRADITÓRIAS.
Ex:  Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas. Ex: “O mito é o nada que é o tudo”.
     
     "Amor é fogo que arde sem doer
      É um contentamento descontente
      É ferida que dói e não se sente.”

     “Não existiria som se não houvesse o silencio”

3. Apóstrofe: Figura pela qual o narrador interrompe o discurso para DIRIGIR-SE a uma pessoa ausente ou não, a um objeto inanimado ou a uma ideia abstrata:
Ex: “Ó mar, porque não apagas co’a espuma de tuas vagas, de teu manto borrão?”

      “Senhor, Deus dos desgraçados,
       dizei-me, Senhor Deus,
       se é mentira ou se é verdade
       tanto horror perante os céus.”

4. Eufemismo: SUBSTITUIÇÃO DE UMA PALAVRA OU EXPRESSÃO DESAGRADÁVEL ou áspera por outra mais amena.
Ex: Você faltou com a verdade a um homem.
      Um senhor pegou seu carro sem lhe avisar  e sem a intenção de devolver!
      Ele foi repousar no céu, junto ao Pai.
     Os homens públicos envergonham o povo.

5. Hipérbole: Afirmação EXAGERADA de uma ideia com o intuito de reforçá-la. 
  Ex: Falei trezentas vezes para você!
       “Meus olhos são pequenos para ver
        o mundo que me esvai em sujo e sangue
        outro mundo que brota...”     
 (Carlos Drummond de Andrade)

6. Ironia: utilização de um termo com SENTIDO OPOSTO ao que se quer realmente dizer.
Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.

     “Moça linda bem tratada,
      três séculos de família,
      burra como uma porta:
      um amor!      (Mário de Andrade)

    “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”  (Monteiro Lobato)

     Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou tudo o que estava gravado?”

     “Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever com o dedo.”

7. Personificação ou prosopopeia: Atribuição de ações, qualidades ou sentimentos a seres inanimados. Também a ATRIBUIÇÃO DE CARACTERÍSTICAS HUMANAS a seres animados constitui prosopopeia, como este exemplo de Mário Quintana: “O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico....” 
Ex: “O tempo passou na janela e só Carolina não viu.”  (Chico Buarque)

        “... a Lua tal qual a dona do bordel
        pedia a cada estrela fria
       um brilho de aluguel”  
 (João Bosco & Aldir Blanc)

        “... os rios vão carregando as queixas do caminho.”  (Raul Bopp)

     “Um frio inteligente (...) percorria o jardim....”    (Clarice Lispector)

8. Perífrase - antonomásia: ocorre quando utilizamos EXPRESSÕES ESPECIAS  para falar de alguém ou de algum lugar. Utilizamos a perífrase quando se tratar de lugares ou animais e a antonomásia quando se tratar de pessoas. Na linguagem coloquial, é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome.

Ex: O rei dos animais rugia alto diante da ameaça.

  “Cidade maravilhosa
   Cheia de encantos mil”
  
Cidade-luz = Paris.
 
O filósofo de Genebra (Calvino);

O águia de Haia (Rui Barbosa),

O Aleijadinho esculpiu (Antônio Francisco Lisboa).

“O Genovês salta os mares....” (Colombo)

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