sábado, 12 de dezembro de 2009

Refletindo sobre a identidade do professor e sobre a própria aprendizagem

Acredito que a educação ainda é a porta para nos tornamos pessoas bem-sucedidas na vida, por isso me preocupo muito quando percebo que a maioria dos jovens estudantes que conheço não têm motivação para estudar, não têm um sonho, ou seja, não têm uma perspectiva de vida. Quantas e quantas vezes, ainda no ponto de ônibus, fico me perguntando “Meu Deus, o que faço para esses meninos se motivarem?”, muitas vezes, passo horas pensando em que estratégias e/ou recursos vou utilizar para chamar atenção de meus alunos para determinado projeto, às vezes consigo alguma coisa, outras vezes não e por aí vai...., mas confesso, é muito difícil.
É como diz Nóvoa em sua entrevista “É difícil dizer se ser professor, na atualidade, é mais complexo do que foi no passado, porque a profissão docente sempre foi de grande complexidade”. É muito difícil para o professor motivar um aluno que já vem para a escola totalmente desmotivado, com problemas familiares e sociais e, muitas vezes, com outras intenções, menos a de estudar e o professor ter que dar conta da aprendizagem desse aluno.


Procuro sempre estar atualizada, principalmente no que diz respeito a minha área de atuação (alfabetização, língua portuguesa e informática educacional), pois acredito que ninguém sabe tudo, ninguém é dono da verdade, estamos sempre, a todo momento aprendendo com tudo e com todos.


Num momento penso que sei, em outro percebo que não era nada daquilo que pensava. Num posso concordar com algo, em outro posso discordar e, assim, vamos aprendendo e construindo nossos saberes. Todos os profissionais precisam sempre estar atualizados, mas o professor é um eterno estudante, se ele parar de ler, de estudar, está acabado, vai ficar para trás, pois os alunos percebem quando o professor está desatualizado.


Mas como ser um bom professor, se muitas vezes, ele não tem tempo nem para preparar suas aulas, pois trabalha três turnos, corre de uma escola para outra, elabora e corrige exercícios e provas, lança nota no diário, ah, tem que estudar! É uma verdadeira correria, vinte e quatro horas é pouco fazer tudo que tem que fazer. E aí, o que fazer?


É por isso que toda essa cobrança em cima do professor me angustia muito, é como se o professor fosse responsável por todas as mazelas da educação. Se o aluno não aprende, a culpa é do professor, se tira nota baixa, a culpa é do professor, se não quer assistir às aulas, se não se envolve nos projetos da escola, é o professor que não sabe motivar os alunos, se são indisciplinados, a culpa também é do professor.


É muito triste ver a profissão de professor tão desvalorizada e tão desrespeitada pela sociedade em geral e, mais triste ainda, é um aluno insultando e agredindo fisicamente um professor, como estamos vendo na mídia ultimamente.


Mas, o que me angustia mais é que o sistema e a sociedade cobra do professor, mas não valoriza esse professor, não dá suporte para que ele se qualifique e prospere, pois também esse direito, por que não? Mas tudo que é para educação é muito burocrático ... é muiiiito lento...


Mas mesmo com essas mazelas tento ser uma professora responsável tanto com a aprendizagem dos alunos como da minha própria, pois me cobro muito, fico muito angustiada quando vejo que não estou conseguindo motivar os alunos para produzir seus conhecimentos, ou seja, para aprenderem.


Acredito que a cada dia é um novo desafio, pois despertar a curiosidades nos alunos é um verdadeiro desafio para o professor. Procuro sempre interagir com alunos ouvindo suas opiniões, questioná-los quando percebo que estão equivocados e, assim, nós vamos aprendendo juntos. Sempre me avalio depois de uma aula, procuro verificar se as estratégias e os recursos foram válidos ou não para a aprendizagem dos alunos.


Sempre que posso procuro inovar minhas aulas, mas nem sempre consigo. Os caminhos são muitos. Tento mostrar os caminhos que podem valer a pena seguir, mas a escolha é pessoal é de cada um.


Pena que muitos seguem por caminhos que não levam a uma construção positiva.

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Figuras de Linguagem IV